terça-feira, 28 de abril de 2009

Fotografia do Marco Zero do Recife, terça feira à tarde: monumento distante, navio de carga se aproximando, criança pedindo colo e carinho, eu, papel e lápis macio. Talvez um fotógrafo captasse essa cena e o menino de nome Lucas fosse o personagem principal. Meu nome é Lucas, é um nome bíblico. Vamos pular aí, é rasinho. Acho mesmo que os pequenos gostam de mim: quem sabe pensam que sou um deles.
Hoje eu fiquei um pouco a cara da minha mãe, não no sentido literal da coisa, visto que me chamam de "a versão feminina do pai", e não tem nem sentido eu contestar esses comentários impertinentes. Fui um pouco ela quando fui sensível a ponto de transportar-me para a dor do outro e a necessidade de ter alguém que ele sentia. Estou falando de Lucas, ainda. Mãos pequeninas e ainda inocentes tocaram-me por pouco tempo, elas não eram mudas - a maioria delas são -, eram mãos e braços que abraçavam.
Andando por aquele lugar cheio de histórias e História, por que não, senti-me uma ervilha no meio do oceano, mas vez em quando eu me encontrava novamente e percebia bem o real significado de Lugar.
Por fim, hoje não foi exatamente perfeito, por alguns detalhes. E nem existe perfeição. Foi suficiente para dizer para o espelho o quanto é bom chegar em casa e tomar um banho frio e sair com os cabelos pingando, e qual o problema se é noite? Com certeza eu hoje acordei com uma coisa engraçada de ser poeta e ver tudo se transformar em palavras prontas para ir para o papel. O telefone agora tocou. E amanhã é um outro dia.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vez em quando entra pela porta de trás um orgulho besta, de fininho. Ele vem e vai embora, quando eu mando ele ir (ou quando alguém nota a sua presença). Não é bom tê-lo por perto, quero não encontrar-me com ele com tanta frequência. Pode ser?
Várias vezes já bati de frente com ele e fiz o que queria, mesmo achando que deveria esperar mais um pouco. Mais ainda? Esperar tem limite, e o tempo não espera por ninguém: arrasta-nos como grãos fininhos de areia, li em um livro.
Alguma sugestão? Outras coisas deveriam ocupar mais minha cabeça, mas não dá. É. Acho que fui subduzida por alienígenas verdes e estranhos. E talvez quem sabe eu nunca mais volte ao normal.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

é mundo cabeça um cada

Pensando bem, eu bem sei que não sei quase nada sobre o mundo. A Terra é um planeta engraçado e ainda estranho. Queria tanto sair por aí e conhecer melhor cada canto e suas culturas! Acredito que tenho muito tempo pela frente e isso me dá conforto, posso ir atrás de meus sonhos se quiser.
Sempre acreditei que existe um mundo na cabeça de cada pessoa. Assim, existem não sei quantos mundos diferentes e a maioria deles nem terei chances de desvendar. O Pequeno Príncipe fez viagens em planetas distantes em busca de amigos e compreensão; tenho vontade de fazer isso qualquer dia. O que me espera do outro lado? Talvez tenha que atravessar alguns oceanos para entender.

Pequeno

A partir de agora passei a gostar mais de domingo e de segunda-feira. É um novo ciclo que começa, ele disse. Disse também que domingo é um dia alegre e não entende o porquê de todo mundo pensar de outro jeito. E também disse outras coisas. Talvez não seja mesmo daqui, certa vez me confessou ao telefone. Eu concordei. Quem sabe não é o princepezinho, aquele que nunca desiste de uma pergunta, tendo feito uma vez. É que eu fora desencorajado da minha carreira de pintor, quando pequeno. De fato, as pessoas grandes são muito bizarras.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Já chegou a hora do dia em que a gente fala que tá tarde. Lentamente, uma por uma as janelinhas por ora minúsculas aos meus olhos vão apagando suas luzes. Dos apartamentos do prédio que fica atrás do meu. Os animais, alguns deles vão acompanhando o nosso ritmo, outros aproveitam o silêncio da noite para soltar-se mundo afora. Como é misteriosa a escuridão. Gosto dessa coisa de não poder enxergar bem onde piso, mas tenho medo, também. Ora bolas, sou humana, ué. O pai e a mãe já devem estar dormindo, e também os irmãos. E era o que eu deveria estar fazendo, em vez de esperar um pouco.
Talvez, quem sabe, uma ligação bem óbvia. E conversas mais ridículas ainda, só para fechar o dia e falar as coisas. Ah, eu acordei, abri os olhos. Tanta coisa pra falar, o que importa mesmo é um ouvir a voz do outro pra garantir que está tudo bem, e amanhã a gente se fala.