Fotografia do Marco Zero do Recife, terça feira à tarde: monumento distante, navio de carga se aproximando, criança pedindo colo e carinho, eu, papel e lápis macio. Talvez um fotógrafo captasse essa cena e o menino de nome Lucas fosse o personagem principal. Meu nome é Lucas, é um nome bíblico. Vamos pular aí, é rasinho. Acho mesmo que os pequenos gostam de mim: quem sabe pensam que sou um deles.
Hoje eu fiquei um pouco a cara da minha mãe, não no sentido literal da coisa, visto que me chamam de "a versão feminina do pai", e não tem nem sentido eu contestar esses comentários impertinentes. Fui um pouco ela quando fui sensível a ponto de transportar-me para a dor do outro e a necessidade de ter alguém que ele sentia. Estou falando de Lucas, ainda. Mãos pequeninas e ainda inocentes tocaram-me por pouco tempo, elas não eram mudas - a maioria delas são -, eram mãos e braços que abraçavam.
Andando por aquele lugar cheio de histórias e História, por que não, senti-me uma ervilha no meio do oceano, mas vez em quando eu me encontrava novamente e percebia bem o real significado de Lugar.
Por fim, hoje não foi exatamente perfeito, por alguns detalhes. E nem existe perfeição. Foi suficiente para dizer para o espelho o quanto é bom chegar em casa e tomar um banho frio e sair com os cabelos pingando, e qual o problema se é noite? Com certeza eu hoje acordei com uma coisa engraçada de ser poeta e ver tudo se transformar em palavras prontas para ir para o papel. O telefone agora tocou. E amanhã é um outro dia.
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