Eu gostava de tudo nele: o jeito carinhoso, simpático, afável, adorável, compreensível, inconfundível. E os gostos por tênis, fórmula 01, e nada de futebol. A simpatia engraçada pelos que já se foram, mas que de uma forma ou outra tinha alguma conexão secreta: Tim Maia, Ayrton Senna e Michael Jackson. Dentre outras coisas, tinha também aquela mania secreta de ajeitar o cabelo, e eu rindo do outro lado do espelho. E o jeito de me fitar, de me envolver, me proteger e me rodear de flores e poesias por todos os lados. A gente tinha uma sintonia que ninguém entendia bem, e hoje eu queria poder explicar para qualquer pessoa, que é pra ver se eu desabafava um pouco tudo o que eu ando sentindo. Meu coraçao agora descansa, mas ainda bate machucando o resto do corpo porque não aceita não mais escutar sua voz no telefone. Procuro não ouvir mais aquela Bossa que era nossa, e Vinícius vai ficando um pouco de lado, enquanto eu tento mudar o disco.
Gostava de tudo nele, desde o jeito estranho de se acomodar em um ambiente desconhecido, até do humor infantil e das brincadeiras de inventar o futuro. A gente errou feio! Gostava de comer um pão-com-qualquer-coisa e muita Coca-cola, e depois ainda empurrar uma sobremesa, se sujando como sempre. E depois de beber água, ele ficava a esperar o meu AHHH, para fazer um deboche, e em seguida rolar de rir pelo chão de terra batida. Era como se meu coração desse uma festa dentro de mim, toda vez que eu o via. Adorava ver a evoluçao daquele namorico se transformar em uma coisa séria, e a gente contava as coisas um para o outro, mas ele era sempre o psicólogo que sabe medir bem as palavras. No carro a gente cantarolava alto as músicas de outro tempo: talvez a gente não seja de agora, mesmo, mas de um pensamento distante que nunca existiu. Um simples passeio a praia era motivo de alegria maior, leva a farofa, que a diversão é garantida, só nós dois torrando na areia escaldante e efervescente, a trocar beijinhos e falar umas juras de amor. Pra mim ele era único, e eu me lembro do último convite que ele me fez para jantar à luz de velas, que foi quando a gente acabou na pracinha comendo o melhor churrasquinho da minha vida, enquanto eu o olhava e desejava passar com ele o resto da minha vida. Até comer espetinho era bom, e eu sabia que sempre teria uma surpresa me esperando a qualquer hora, como por exemplo aquele pic-nic na Jaqueira, em que ele fez questão de levar toalha xadrez e muita Club Social.
É por isso que tenho tanta dificuldade de esquecer esse menino, seguir em frente e gostar de outro alguém. Será que é difícil para todo mundo entender?
Continuo achando que foi único, mesmo, inclusive no modo como tudo teve seu Fim tão trágico. Com ele eu aprendi a amar alguém de uma forma como nunca havia experimentado amar nenhuma outra pessoa e depois vi que nem tudo é do jeito que a gente queria que fosse.
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