quarta-feira, 25 de março de 2009

Em minhas não delicadas mãos, sinto os esquadros cansados, e elas também estão. Na verdade o que mais pede descanço é a coluna - tão constantemente mal tratada pela dona. Que não se preocupa em sentar da forma correta, mesmo o pai falando umas duzentas vezes por dia. Como não poderia deixar de ser, espera ansiosamente pelo Encontro com aquele menino que por vezes já lhe tirou o sono e deixou-a com raiva: agora está mais tranquila. Hoje recebeu três ligações e tem saudade, ainda que não faça tanto tempo assim que não o vê. Mas só que isso é coisa de quem gosta. E é assim mesmo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quando é que aquela agonia vai passar? A quarta-feira da sorte não foi bem um dia de sorte. Deixou a menina cansada e com dor de garganta. Amanhã, acordar cedo, passar o dia na faculdade. Quem sabe alguma coisa inesperada? Ou não? O futuro à Deus pertence, dizem. Tem em mente um presente e outras idéias na cabeça. E esse final-de-semana que não chega? Andam alongando os dias, certas vezes pensa. E faltam 19 minutos para as onze, e amanhã tem que acordar cedo, e espera que o dia seja bom. Quer só um sono tranquilo. Na verdade, se pudesse escolher, queria um sonho daqueles de tirar o fôlego e ficar nele por um bom tempo, para poder descansar um pouco.
Cubos, cubos, cubos. Por onde será que andas?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Quinta à noite

Uma lua amarela e esfumaçada insistia em aparecer para ela na janela do quarto. Impossível não notá-la, tão bela que ela era (a lua). Dava medo, dizia, mas era bonita mesmo assim. Apesar de ser o dia favorito da menina, uma dor do dente arrancado não a deixava "pular de alegria", como dizem por aí. Tem até uma lógica por trás dessa preferência maluca: é só que pela frente há a expectativa de dois dias ainda melhores, que são a sexta e o sábado. E ainda tinha outras coisas malucas.
Passou a noite pedindo o carinho da mãe, que fez questão de retribuir: e como é bom tê-la sempre por perto, pensava de vez em quando. Visto que não existe pessoa melhor para executar a tarefa. Já no fim daquele dia meio bom, meio ruim, é acordada nos últimos instantes - era a amiga no telefone, coisa comum de se acontecer.
Se foi bom ou ruim, aquele que deveria ser o dia favorito teve um ponto tal qual as estrelas da noite: nem notara, a pobre, que, de fato, às 21:21 alguém estava com ela no pensamento.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Me falta inspiração: eis a razão pela qual não tenho dado as caras por aqui. Não ando tendo aquelas idéias que pareciam mais ser diferentes sombras do meu corpo que o sol fazia. Tenho sido muito preguiçosa, também. E isso me deixa meio preocupada com o futuro, daqui pra lá eu me conserto. Ultimamente tenho passeado pela minha própria casa de cima a baixo na espera de uma ligação. Ou um sinal de vida, ou qualquer coisa que seja.. Nunca pensei que um dia iria abrir mão de minha solidão e ser escoltada 24 horas por um celular de tamanho de tijoulo. Aliás, eu nunca gostei muito desse bicho, nunca fiz questão de carregar a bateria e constantemente esquecia de por o aparelho na bolsa, na hora de sair de casa.
Ontem extraí um dente. Mainha disse, com a conclusão do feito, a seguinte frase: " Que dentinho lindo". Se era lindo, então para quê arrancá-lo da minha boca? Agora lembro de como era lindo e o quanto eu o queria de volta, ao invés de me sentir da terceira série novamente, cheia de portas e janelas. Ando não pensando tanto antes de fazer uma coisa, e isso é bem engraçado. Ando cheia de papo-furado.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Zé me ganhou justo pela ausência de um motivo maior. Não houve bem um motivo, mas vários tão pequeninos que não saberia dizê-los. Tá, ele me deu um Gibi da Turma da Mônica. E eu sempre gostei de ler gibi, acontece que eu perdi o costume.
No primeiro dia que o conheci, na frente do meu prédio da faculdade, vi de cara que ele tinha alguma coisa que mais cedo ou mais tarde, eu iria me identificar. E não deu outra. Estava cansado, e entre uma resmungada e um suspiro ele falava: "Oi, meu nome é Tom. Quer uma tapioca?" E ria mais uma, duas e outras tantas vezes. Disse-me que tem 20 irmãos e que 7 morreram - e disse isso com a maior naturalidade do mundo. O que me deixa um pouco chocada, mas fazer o quê, né.
Zé agora não é mais o menininho da tapioca, da cocada e da tortinha. Ele parece não ter sido corrompido pelo culto ao egoísmo e a outras coisas. Tem montes de sonhos e um deles é ter um celular, fazer Artes Plásticas e Engenharia Civil. De faculdade ele entende, e já tem um milhão e meio de amigos que faz todos os dias, enquanto o tempo passa se arrastando por ele, que chega de uma da tarde e sai só quando escurece. É filho do riso, e como seu sorriso faz bem.

domingo, 1 de março de 2009

Meu fim-de-semana foi feito de Coldplay, chuva e um crepe Misto no domingo à noite. E de uma agonia de tamanho indefinido. Talvez esteja sentindo pela primeira vez uma sensação que nunca experimentei antes, e a gente acaba estranhando essas coisas diferentes. Né.
Falta algum pedaço.