quarta-feira, 4 de março de 2009

Zé me ganhou justo pela ausência de um motivo maior. Não houve bem um motivo, mas vários tão pequeninos que não saberia dizê-los. Tá, ele me deu um Gibi da Turma da Mônica. E eu sempre gostei de ler gibi, acontece que eu perdi o costume.
No primeiro dia que o conheci, na frente do meu prédio da faculdade, vi de cara que ele tinha alguma coisa que mais cedo ou mais tarde, eu iria me identificar. E não deu outra. Estava cansado, e entre uma resmungada e um suspiro ele falava: "Oi, meu nome é Tom. Quer uma tapioca?" E ria mais uma, duas e outras tantas vezes. Disse-me que tem 20 irmãos e que 7 morreram - e disse isso com a maior naturalidade do mundo. O que me deixa um pouco chocada, mas fazer o quê, né.
Zé agora não é mais o menininho da tapioca, da cocada e da tortinha. Ele parece não ter sido corrompido pelo culto ao egoísmo e a outras coisas. Tem montes de sonhos e um deles é ter um celular, fazer Artes Plásticas e Engenharia Civil. De faculdade ele entende, e já tem um milhão e meio de amigos que faz todos os dias, enquanto o tempo passa se arrastando por ele, que chega de uma da tarde e sai só quando escurece. É filho do riso, e como seu sorriso faz bem.

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