Vira e mexe, temos sempre saudade de alguém ou alguma coisa. Da casa na qual um dia moramos, e como era linda e agradável. Dos amigos que jurávamos ser para sempre, no entanto não mais se fazem presentes, nem eram tão amigos assim. Do cheiro da comida feita pela avó, e do gosto e do aspecto; Saudades de quando éramos crianças e não conhecíamos na teoria o que significava Felicidade: praticávamos-na. Falta da escola e das pessoas dentro dela, e de um lugar bem específico, a cantina. Bem próximo dali podíamos sentar para jogar conversa fora enquanto colocávamos a comida para dentro (coisa boa). Às vezes se tem saudade de coisas concretas, os objetos e as sensações que eles emitem em nós. Ganham sentimentos a partir da hora em que percebemos o valor que possuem além do material. São mais fáceis de fazer o Desapego. Em contrapartida existem as pessoas. É bem difícil de se desfazer delas, já que o que conta é mesmo a alma, se é boa ou não. Esses seres possuem cheiros e gostos únicos e pontos marcantes: podendo torná-las inesquecíveis.
Uma coisa é fácil de afirmar: se temos saudade de alguma coisa é porque gostávamos dela, e talvez seja bom, então, ter esse sentimento. Se é assim, por que não gostamos de sentir saudade? Acho que é porque não conseguimos de imediato fazer uma substituição de uma coisa por outra no mesmo nível.
A gente pode também ter falta de algo que nunca tivemos, só que isso é coisa rara. Como bem já disseram, "O que os olhos não vêem, o coração não sente". Será?
2 comentários:
Lindo texto, as always. Só tenho que discordar que não temos saudade do que não temos ou não conhecemos. Sim, as pessoas sentem saudade também do desconhecido. E esse desconhecido são suas idealizações, suas vontades. E estas, quando não realizadas, deixam uma saudade do que poderiam ter sido. Ou talvez, deva expandir mais as tantas saudades sentidas pelo ser humano. Afinal, quem nunca assistiu um filme antigo ou escutou uma música e teve saudade de uma época que nunca foi sua? Afinal, saudade nada mais do que vontade. Vontade de reviver ou viver algo, a escolha dos termos é irrelevante. E o que os olhos não vêem, o que coração não sente (..) Certo, agora devemos lembrar que a imaginação é os olhos da mente. E esta é tão poderosa sobre o coração, quanto os globos oculares que carregamos.
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