domingo, 5 de outubro de 2008

Mais uma vez: eles


As cores foram criadas para acabar com essa monotonia do preto-e-branco, que não deixam de ser cores também, só que um pouco mais sérias e adultas. Há quem diga que preto é cor de enterro, mas sempre vi essa tonalidade como o traço do perfil que cada pessoa possui, um traço preto e próprio, presentes nas quebradinhas do nariz e outras coisas. Esses traços, no entanto, são só visíveis a princípio em desenhos, claramente demarcados.
E o branco? Acabo de ver a cor branca um tanto diferente, não é mais como antes. Para que fique mais claro, vale bem a pena assistir "Ensaio sobre a cegueira", baseado no livro de José Saramago. Lá, a névoa branca que tanto falam parece existir de verdade, e talvez paire sobre nossas pálpebras um dia. Amiga minha explicou o porquê dos personagens terem ficado cegos, e isso é uma das coisas mais bonitas do filme, que é um dos melhores que pude assistir.
Mas não estávamos falando de filme, sim? Falávamos de tonalidades.. ! Lembro só de quando era uma criança pura - eu era desse tipo - que costumava brincar com os lápis de cor como se fossem brinquedos ou bonecos. O cor-de-rosa era sempre "a mais desejada" pelo Azul e pelo Verde, os galãs da caixa. Não serviam apenas para rabiscar sóis de óculos, eram bem mais que instrumentos; o meu maior passa-tempo.
Mas é depois de um certo conhecimento e afinidade com eles que passamos a enxergar as linhas de cada pessoa, em movimento até - é como se estivessem no papel.

Um comentário:

Lais Varejão disse...

Sempre, digo com toda veemência, SEMPRE um prazer de ler!