sábado, 18 de outubro de 2008

18/10/08


Ela não simpatizava muito com a data do seu aniversário, ao contrário do resto do mundo: é que ela era adorada por todos que podiam conhecê-la de perto. Tinha todas as melhores qualidades em uma pessoa só: simpatia, beleza, inteligência, humildade..
Apesar de ser chamada "Silvinha" pela maioria, era uma mãezona e tanto para os seus quatro filhinhos abusados, além de ser uma esposa e tanto, para o maridão.
Se havia motivo para ficar mau-humorada, logo inventava outro motivo para ficar feliz, e dizia sempre que tínhamos que agradecer pela comida e pela saúde, logo de manhã cedo.
Era a famosa "mãe-bombril", ou seja: mil e uma utilidades! Se desdobrava em mais de uma para atender à todos, e no corre-corre do dia-a-dia era sempre chamada de "batalhadora".
E com um corpinho invejável para quem já teve quatro filhos, todos parto normal, era tão bonita quanto as atrizes que se via desfilando no tapete vermelho. Só que tinha um coração ainda mais bonito, podia-se dizer que tinha o maior coração do mundo.
Seu maior defeito: o de colocar flores em tudo que é canto. Tirando isso, posso dizer que ela chega à beira da perfeição, falando agora no presente, porque ela é hoje a minha maior alegria.
Eu te amo.
- Detalhe básico: tive que fazer algumas alteraçõezinhas nessa imagem, como duplicar a menina loira e mudar um pouco a aparência da mulher do meio, que tava com uma cara muito fechada (copiei e colei o nariz e olhos da menina loira). Haha!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Aos professores do Brasil

Primeiramente, espero não desapontar meu professor de português, não comentendo errinhos de ortografia! É que tá difícil aceitar essa reforma na Língua Portuguesa, já que sempre fui uma fã assídua do trema.
Em segundo plano - não que essa seja a parte dispensável, mas é a ordem na qual ela foi colocada, apenas - queria agradecer por vocês serem os responsáveis por meu dia de folga do cursinho, valeu mesmo! (ahahahah)
Outra coisa: sempre vi meus professores do primário como felizardos, já que recebiam presentes quase todo dia, contando com os ovinhos da Páscoa, Natal, Dia do Professor - é claro - e outros feriados que não me vêm à memória.. Eu tinha tanta inveja!
Se bem que eles até merecem, imagina só como é difícil fazer uma pessoa ler, assim, do nada. Quer dizer, é uma coisa tão abstrata, a leitura. Me lembro também que eu sempre lia rapidinho, porque quem lia rapidinho podia ir logo para o recreio.
Professor é sim uma das profissões mais importantes, e sempre terá um papel fundamental, é uma pena que tantas pessoas não dêem valor. O professor é como um mestre, mas não sai ditando as regras sem fazer uma reflexão, sem envolver os alunos. Digo, o professor de verdade.
Tem professor de tudo que é tipo nesse mundo: o carrasco, o bonzinho, o engraçadinho, o sério. Prefiro sempre os bonzinhos-engraçadinhos. Mas tem sempre alguma coisa que faz o sério largar a seriedade e soltar uma gargalhada, se ele for alma-boa. Agora professor carrasco, eu sempre odiei. Acho que não tem um porquê pra ser assim, não precisa deixar os alunos ainda mais desconfortáveis, já que as cadeiras não são nada fofinhas.
No geral, são todos bem parecidinhos, são todos uns sem-vergonhas (digo isso, levando em conta o fato de que eles não se sentem constrangidos em cima de um palquinho, com todos os olhos esbugalhados em sua direção).
Eu, hem! Já vi que essa nunca foi minha vocação. Na primeira brincadeirinha sem-graça a meu respeito no meio da classe, acho que sairia correndo, pediria demissão e mudava de cidade.
Beijo, tia!
Marília Dias
PS: Me ajuda aí, nessa redação. Sei que não fui muito bem mas mereço um ponto de partcipação!
-> Nota final: 7,75 pelos xingamentos e não adaptação das novas regras do português.

domingo, 12 de outubro de 2008


"O tempo é um ponto de vista dos relógios" - Mário Quitana
- E não há nada mais certo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

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"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." (Graciliano Ramos)

Deveríamos ter a alma de Graciliano, talvez quem sabe seríamos seres mais humanos, sem rodeios: seríamos diretos, mais verdadeiros. Que é justamente o que falta no mundo, essa tal dessa sinceridade. Seríamos mais justos e mais coerentes.
Contudo, Graciliano Ramos utiliza uma linguagem enxuta porque fala da seca, retrata o abandono do sertanejo que procura as palavras na hora de se expressar e acaba não conseguindo, tamanha a ignorância. Assim, é necessário abolir todas as riquezas - inclusive a vocabular.
A miséria tira do povo todo o direito que ele tem de ter sonhos e pensamentos, cedendo o espaço que falta para uma só vontade: a de sobreviver.

domingo, 5 de outubro de 2008

Mais uma vez: eles


As cores foram criadas para acabar com essa monotonia do preto-e-branco, que não deixam de ser cores também, só que um pouco mais sérias e adultas. Há quem diga que preto é cor de enterro, mas sempre vi essa tonalidade como o traço do perfil que cada pessoa possui, um traço preto e próprio, presentes nas quebradinhas do nariz e outras coisas. Esses traços, no entanto, são só visíveis a princípio em desenhos, claramente demarcados.
E o branco? Acabo de ver a cor branca um tanto diferente, não é mais como antes. Para que fique mais claro, vale bem a pena assistir "Ensaio sobre a cegueira", baseado no livro de José Saramago. Lá, a névoa branca que tanto falam parece existir de verdade, e talvez paire sobre nossas pálpebras um dia. Amiga minha explicou o porquê dos personagens terem ficado cegos, e isso é uma das coisas mais bonitas do filme, que é um dos melhores que pude assistir.
Mas não estávamos falando de filme, sim? Falávamos de tonalidades.. ! Lembro só de quando era uma criança pura - eu era desse tipo - que costumava brincar com os lápis de cor como se fossem brinquedos ou bonecos. O cor-de-rosa era sempre "a mais desejada" pelo Azul e pelo Verde, os galãs da caixa. Não serviam apenas para rabiscar sóis de óculos, eram bem mais que instrumentos; o meu maior passa-tempo.
Mas é depois de um certo conhecimento e afinidade com eles que passamos a enxergar as linhas de cada pessoa, em movimento até - é como se estivessem no papel.