sábado, 30 de agosto de 2008

Livraria


Ás nove da matina chega o primeiro cliente, ansioso. "Calma, já vai abrir" diz a vendedora aflita. E vira a plaquinha que dizia "FECHADO", mas agora diz o contrário. Chave um, dois, três.. "Ah, é essa!" Uma brecha faz o cliente enlouquecer, e sair correndo em uma velocidade jamais vista, por entre aquele labirinto de livros e papéis coloridos empilhados e perfeitamente organizados, cada qual na sua seção, é lógico, para não virar bagunça. "Mas onde ficam as tintas?", ele freia por um segundo. Procura, escavuca, sai doido, é quase um maluco desmiolado doente mental da cabeça. De longe avista pincéis de todas as grossuras - ou finuras, como queiram - e expira todo o ar por tamanha satisfação.

Não é pintor nem artista nem crítico de arte. So ama aquilo e não vê razão pra ser de outro jeito. Não vê as cores como diferentes tonalidades, mas com distintas texturas, sons e principalmente cheiros. Nem conhece Todos Os Pintores Do Mundo, e quem conhece? Bom mesmo é fingir que é qualquer um deles e montar o próprio ateliê no conforto de sua casa.
Depois de analizar as novidades, os cadernos, os aspirais, os lápis especiais de desenho acaba endoidando de vez e comprando tudo. E os outros dizem "Que invenção!", o que não deixa de ser!

É uma pessoa que nem tem tanta maldade no coração; inveja apenas a elegância dos lápis e a suavidade dos pincéis, mas queria mesmo é ser afiado como alguns estiletes. Pensando bem, faria daquele lugar sua moradia e seu refúgio, e dormiria horas e horas sobre algumas telas ainda em branco. Para quem sabe um dia se tornar um alguém de verdade, nem que seja de mentirinha.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Dom Quixote



Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos, mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça


Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra um dia há de comer
Ás de espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário.


Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento
tudo bem, seja o que for; seja por amor as causas perdidas.
Engenheiros do Havaii

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O sonho

do Latim somnius.,

conjunto de idéias e imagens mais ou menos confusas e disparatadas, que se apresentam ao espírito durante o sono;
utopia;
ficção;
fantasia;
visão;
aspiração;

-

O sonho é coisa que o homem não conseguiu jamais desvendar. Dizem que o sonho diz muito do inconsciente da pessoa, é uma salada de coisas imaginárias acontecendo simultaneamente em progressão geométrica a uma razão de 0,1 segundo. Talvez lá pudéssemos encontrar respostas para as nossas maiores indignações, talvez não.
Muitas vezes acordei meio tonta, por ter um sonho maluco daqueles. Mas pobre de mim, humana! Que não sou capaz de interpretar aqueles do jeito que deveria. O sonho é em grande parte ficção, fantasia, utopia e um "conjunto de idéias mais ou menos confusas e disparatas", mas também não deixa de ser aspiração e visão.
Pode ser também um tempo reservadíssimo para que a gente possa usar a cabeça para relaxar e fingir ser aquilo que sempre quisemos, sonho interrompido por esse mundo mau-humorado e interesseiro. O mundo tem vinte e um séculos, e mais os quebrados contando os tempos de Cristo, dos Dinossauros e sei lá quem mais esteve aqui antes. Talvez esteja ficando velho para os sonhos, mesmo. Quem poderia imaginar um mundo assim, são tantos os conflitos. Acho que agora vou poder dormir mais tranquila, por saber tanto de sonhos e também quase nada sobre eles. Só não me desejem um pesadelo.


"Antes de concluir este Capítulo, fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição. Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis.
Mas os tempos mudaram tudo; os sonhos antigos foram aposentados e os modernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros não poderiam fazê-lo. A ilha dos sonhos, como a dos amores, como todas as ilhas de todos os mares são objeto da ambição e da rivalidade da Europa e os Estados Unidos.
Era uma alusão às Filipinas. Pois que não amo a política, e ainda menos a política internacional, fechei a janela e vim acabar este capítulo para ir dormir. Não peço agora os sonhos de Luciano, nem outros, filhos da memória ou da digestão; basta-me um sono quieto e apagado. De manhã, com a fresca, irei dizendo o mais da minha história e suas pessoas."


Machado de Assis - Dom Casmurro

sábado, 23 de agosto de 2008

A incrível arte do mau-humor

Se há coisinhas nesse mundo que deixam qualquer um de mau-humor, direi algumas delas:
1) Tirar um cochilo no fim da tarde e acordar no escuro, digo, de noite. Ah, isso é típico!
Explicação plausível: Parece que tomaram seu dia e lhe devolveram um domingo, com direito a Gugu Liberato e o rei da pizzaria, Fausto Silva! (Pôôôôura mêooo)
2) Gente mau-humorada por perto.
Explicação plausível: Sabe aquela frase "Gentileza gera gentileza"? É a mesma coisa.

3) Aula dia de sábado.
Explicação plausível: Prefiro não opinar.

4) Perder o ônibus/esperar na parada de ônibus/correr atrás do maldito ônibus
Explicação plausível: Me sinto uma completa idiota, ao lembrar que todos os passageiros estavam me observando no momento da maratona, de correr atrás do "bicho". Pra quê tanto esforço pra entrar naquela giringonça?

5) Gente metida à besta.
Explicação plausível: Tem besta pra tudo nesse mundo..

6) Ter todo um tempo livre pela frente e o ócio por trás.
Explicação plausível: Bom mesmo é ter o que fazer e não fazer nada (é o que dizem, pelo menos).

7) Pessoas gritando no cinema e chutando a sua cadeira durante todo o filme.
Explicação plausível: A primeira vez - no cinema - é inesquecível; porque para fazer esse tipo de coisa só tem uma justificativa, que é a emoção de ver filme na completa escuridão.

8) Lojas Americanas, o maior natal do Brasil. E a maior fila também.
Explicação plausível: Eu só queria um choquito..

9) Lavar a louça
Explicação plausível: Porque um dia chega aquela parte de tirar toda a comida entupida.

10) Perder qualquer coisa dentro da minha casa.
Explicação plausível: é a mesma coisa que dizer "bye, bye".

11) "A mais fortinha vai na frente"!
Explicação plausível: Gordo não tem massa muscular, mas sim banha.

12) Ouvir um sábio e instigante: - Que mau-humor, hãm? HA-HA-HA-HA-HAExplicação plausível: - Eu não estava, até agora.

sábado, 16 de agosto de 2008

Brasil à moda antiga



O Brasil é um país que vem crescendo bastante, especialmente nos últimos anos; passamos, assim de uma colônia de exploração a um país independente em parte. Dava-se um passo a frente, mas é como se o outro pé travasse na hora do movimento. Mas, afinal, por que a independência, se ainda haviam tantos entraves? A estrutura social continuava a mesma, e junto com ela todos os outros pontos os quais unidos seriam perfeita exemplificação de um território que servia apenas para enriquecer os bolsos europeus.

Passado o tempo, temos ainda grandes heranças daquele período; nossos bóias-frias são tão ou mais explorados em relação aos escravos. Trabalham pesado para ganhar o sustento da família e não têm a ninguém, senão a eles mesmos. Chegam a cortar 12 toneladas de cana para aumentar a renda, enquanto os negros cortavam menos da metade.
Que tal avançarmos no social, em vez da economia, do etanol, dos esportes? É hora de nos preocuparmos mais com os outros, com a saúde e com a educação. Tão simples, não? Mas parece que o Brasil ainda tem um pensamento retrógrado típico de quando tinha o açúcar como maior riqueza e era dividido em feudos e seus proprietários hipócritas. E isso, em pleno século XXI.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Esperando..


Esperar é sinônimo de chá de cadeira, tédio, agonia, vontade de ir na frente, de pegar o trem, cansaço, esperança, descrença, relógio que emperra o ponteiro bem na hora em que a gente tá esperando alguma coisa ou alguém chegar.
Agora mesmo, de tanto esperar minha mãe chegar em casa, pra então me levar para o cursinho, acabei inventando de escrever alguma coisa, só pra passar o tempo. Ela disse "vou comprar carne"! e eu "tá, mas não demore" "não, não! só uns 15 minutinhos"- ela falou. Há, e até parece que acredito nessa história para boi dormir!
Cá estou eu, faltando assuntos para pôr aqui, e ela ainda lá.. mas prometo que só vou parar na hora em que ouvir a buzina louca do carro dela acordar toda a vizinhança! Hahahaha só não posso garantir que eu não acabe falando das Olimpíadas de Pequim, tudo pra puxar assunto, ou até faça algumas orações sem um pingo de sentido.
Vou traduzir agora o que passou no balão do meu pensamento: "que baboseira, vou sair daqui agora e dizer Ah! vou indo, minha mami chegou, beijo, me liga"
Triiiiiim, o telefone tocou: - Cadê tu, mainha? - tô chegando, vá lá pra fora..
Agora é de verdade, espero!