segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mudo

Eu te amo, ele disse sem fazer som algum. Mas eu fiz leitura labial e ouvi com o coração, que ficou apertado, daquele jeito como quando a gente veste uma calça dois números a menos e fica sem ar.
Perguntei, é o quê? Repete, não escutei. Era mentira, e ele sabia. Sabia também que aquelas palavras deveriam ser faladas com mais força ou algum som. O silêncio foi bem mais sutil, no qual concreto e abstrato se misturam e viram um só.
E então, deixo de insistir, enfim. Não preciso de som para entender.

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