quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mais um adeus
Vinícius e Toquinho

Mais um adeus, uma separação
Outra vez solidão, outra vez sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar
Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno, não tome gelado
O gin é um veneno, cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
Pro apartamento
Porque o vencimento não é como eu:
Não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

No fim das contas, a pirâmide inverteu-se. Já não somos mais nós dois, é chegada mais uma vez a parte em que os conhecidos se desconhecem e seguem suas vidas. Sempre assim. É o sábio Vinícius mais uma vez acertando na mosca, e eu mais uma vez pagando para ver. Talvez eu soubesse desde o início que o Fim estava próximo, mas assim como a morte, ele pode nos pegar depreparados.


Besteira, o tempo é o melhor remédio. E agora eu sei atravessar a rua como ninguém.

Vai entender!

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Na distância é que a gente se perde
A gente não se reconhece no outro
Até o próximo contato
Mas não há maior virtude que
O gosto da ausência
E encurtar a distância