terça-feira, 27 de outubro de 2009

Até logo

90790556, Le Club Symphonie/Michael Crockett /Taxi

Eu que nunca gostei de despedidas, assim como muita gente que eu conheço.
A morte é uma despedida inesperada - mesmo quando já é premeditada -, separa duas pessoas ou mais de um jeito que mexe muito e é comumente sinônimo de "perda".
Eis a razão pela qual não costumo dizer "tchau" de forma definitiva: no fundo, no fundo, existe dentro de mim um medo de perder a pessoa que some aos meus olhos.. eles tentam acompanhá-la até o limite possível de se enxergar.
E a partir dessa linha imaginária que divide o instante em que a pessoa estava aqui e foi embora, o tempo passa logo depressa, e lá se vão uns quinze minutos de pensamento.
Penso sempre nas pessoas que amo. O que fazem enquanto faço meus afazeres?
Gosto de achar que pensam em mim, e lembram de situações engraçadas que já arquitetei: concluo, assim, que minha vida é mesmo muito importante, tanto para dar vida aos meus sentimentos, tanto para os outros que por setas, estão relacionados ao meu nome, por um laço afetivo bem apertado.
Eu que nunca gostei de despedidas, despeço-me aqui com vontade de voltar, de acordar amanhã e alegrar-me com a arte do encontro, que é a minha parte favorita.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009




Um fio do seu cabelo
está na minha cabeça
e não há nada que faça
com que isso desaconteça

Um fio do meu cabelo
está na sua
e não há nada que substitua

Nem o sol nem a lua

Nem a luz do pensamento mais intenso
que você pense que eu penso


Arnaldo Antunes

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De última hora

"Checa teu e-mail quando chegar em casa", e ao ouvir, eu atravessei a rua correndo, como de costume e de charme. O carro deu partida e lá eu deixei meu pequeno.
Quase como um filme passa pela minha cabeça, vejo aquele sorriso de dentes grandes e alinhados, exceto por um ou outro inferior, os quais só eu posso notar. São meus, e também aquele jeito satisfeito com a vida, e aquela testa que tem espaço de sobra para eu tirar um abusinho.
Sei que ninguém é de ninguém, já me disseram várias vezes. Mas só que sinto aquele sorriso fazendo parte de mim, quase como se estivessem sobrepostos o meu e o dele, então assim fica com uma cara meio engraçada.
Não vou nem ler o que escrevo pois assim estou deixando sair tudo o que vem a cabeça no momento, ela anda um pouco atarefada pensando nesse menino e lembrando da poesia que ele deixou na minha caixa de entrada.

(Suspiro)