domingo, 13 de março de 2011

Eu sinto uma saudade engracada do que nunca existiu:
De te olhar e me enxergar em voce nesses teus olhos semiabertos
Do Eu Te Amo que voce nunca me disse
Do medo que voce nunca teve de um Voce Sem Mim
De conseguir alcancar na tua alma as tuas feridas e tentar cura-las

Tambem tenho saudade do que aconteceu:
De te ver envolvendo com os bracos todo o comprimento do meu corpo, enquanto o vidro escuro embacava
De fazer videoclipes apaixonados nos acordes do teu violao
De te observar na cama, sereno, com medo de te perder mais uma vez
O que eu sinto aqui nao tem nome, cor, cheiro, forma, tamanho, barulho, aparencia.
O que eu sinto aqui tem apenas consistencia.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estar só não me incomoda tanto quanto há duas semanas atrás
Agora, por exemplo, eu não tenho nenhuma estória de encher os olhos
Isto é só para ver se bate o sono, quem sabe daqui a quinze minutos
Ou será que hoje também é dia de insônia?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mais um adeus
Vinícius e Toquinho

Mais um adeus, uma separação
Outra vez solidão, outra vez sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar
Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno, não tome gelado
O gin é um veneno, cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
Pro apartamento
Porque o vencimento não é como eu:
Não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

No fim das contas, a pirâmide inverteu-se. Já não somos mais nós dois, é chegada mais uma vez a parte em que os conhecidos se desconhecem e seguem suas vidas. Sempre assim. É o sábio Vinícius mais uma vez acertando na mosca, e eu mais uma vez pagando para ver. Talvez eu soubesse desde o início que o Fim estava próximo, mas assim como a morte, ele pode nos pegar depreparados.


Besteira, o tempo é o melhor remédio. E agora eu sei atravessar a rua como ninguém.

Vai entender!

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Na distância é que a gente se perde
A gente não se reconhece no outro
Até o próximo contato
Mas não há maior virtude que
O gosto da ausência
E encurtar a distância